Os novos tempos das Soft Skills: Lucedile Antunes, criadora da série best-seller fala sobre propósito, comportamento e futuro

Lucedile Antunes, escritora best-seller, criadora da série Soft Skills

Referência nacional no desenvolvimento humano e comportamental, Lucedile Antunes é uma das vozes mais influentes quando o assunto é soft skills. Fundadora da L. Antunes Consultoria & Coaching e reconhecida internacionalmente pela ICF (International Coaching Federation), ela já impactou centenas de pessoas por meio de palestras, jornadas de liderança, programas de coaching e mentoria, sempre conduzindo seus clientes a um profundo processo de expansão de consciência, autoconhecimento e evolução.

Autora de mais de dez livros publicados pela Literare Books, incluindo os best-sellers Soft Skills – Competências Essenciais para os Novos Tempos e Soft Skills – Habilidades do futuro para o profissional do agora, Lucedile idealizou uma série que atravessa gerações, abordando habilidades socioemocionais desde a infância até a vida adulta. Visionária, sensível e altamente comprometida com o desenvolvimento humano, ela compartilha nesta entrevista os bastidores da criação da coleção, os desafios dos projetos, as habilidades mais urgentes do presente e os próximos passos, incluindo novas obras que já começam a ser desenhadas.

A seguir, você confere uma conversa inspiradora com a autora que transformou o modo como o Brasil enxerga as soft skills:

1- Como surgiu a ideia de criar a série Soft Skills e reunir tantos especialistas nesse projeto?

Eu sou mentora e coach nas organizações e, há mais de 30 anos fazendo esse trabalho, comecei a observar que muitas pessoas tecnicamente fantásticas eram demitidas por problemas comportamentais, ou seja, pela ausência das soft skills. Vendo essa dor tão presente nas organizações, decidi criar o primeiro livro. Imaginava que faria só um livro sobre isso e, no fim, acabei criando uma série de cinco volumes, porque fui sentindo esse chamado de trazer essa contribuição aqui para a Terra.

2- Qual foi o maior desafio durante a confecção dos cinco volumes da coleção?

Eu sou uma pessoa muito organizada, muito visionária, executora. Então, para mim, foi tranquilo estruturar o cronograma do projeto. Eu sinto que as pessoas confiam muito em mim; tenho muita credibilidade. Por isso, não foi difícil selecionar os autores, porque as pessoas confiavam em mim e confiaram muito na ideia e no projeto. Depois que fiz o primeiro volume, muitos quiseram participar dos demais, e aí fui trazendo novos autores também. Mas os maiores desafios, eu diria, são que fazer os livros é um verdadeiro laboratório de soft skills. A gente precisa usar diversas habilidades para gerenciar o time. Então sempre deixei as diretrizes muito claras, tive muito espaço de escuta, de empatia. Respeitei muito o estilo de cada um, desde que seguissem as diretrizes.

3- Em sua visão, por que as soft skills ganharam tanta relevância no mercado de trabalho atual?

Existe uma pesquisa mundial da Michael Page que aponta que 91% das pessoas são contratadas pelo currículo, experiência, porém são demitidas por questões comportamentais, ou seja, ausência de soft skills. E um detalhe importante: a gente não aprende isso na faculdade. A gente vai aprendendo na vida quando a gente se depara com o primeiro emprego e a gente começa a trabalhar e a gente vai vendo quanto é importante a gente saber se comunicar, saber ter empatia, saber negociar, enfim, diversas soft skills importantes. Os livros trabalham em diferentes fases da vida.

4- Os livros abordam diferentes fases da vida – infância, adolescência e fase adulta. Como foi pensar a coleção de forma tão abrangente?

É muito legal essa pergunta, porque foi assim: como eu falei, quando decidi fazer esse livro em um formato um pouco diferente do que a Literare, na ocasião, trabalhava, eu conversei com a Alessandra, presidente da Literare, e disse a ela: “Olha, eu quero selecionar os autores, eu quero criar uma obra que tenha uma curadoria muito forte, porque é o meu nome, é a minha idealização, é a minha credibilidade. Eu sou uma pessoa bem exigente, gosto de fazer as coisas bem feitas.” Então, ela me deu um super voto de confiança, e eu fiz um projeto num formato totalmente diferente do que a Literare fazia, e que depois acabou virando modelo para outros projetos. Eu fui com a intenção de fazer um livro só. Depois, senti que precisava continuar. Foi um chamado de alma mesmo, algo que eu sentia dentro de mim, como se uma força dissesse: “Agora faz esse… agora faz esse…” Depois que lancei os volumes 1 e 2, onde abordo, no total, mais de 60 soft skills com foco mais profissional, senti que precisava fazer o volume 3, que era para os pais de crianças. Por que eu idealizei esse livro? Porque, quando chego no mundo corporativo, eu vejo as consequências da criança ferida de cada pessoa. Todos nós temos a nossa criança interior, com suas feridas, e essas feridas reverberam na forma de agir do adulto. Vejo executivos e executivas com comportamentos exatamente da criança ferida, birra, reatividade… Enfim, temos as feridas emocionais: injustiça, rejeição, humilhação.

Então eu pensei: “Poxa, se a gente começar a desenvolver isso já na infância, teremos adultos melhores para o mundo.” Foi por isso que idealizei o volume 3, o Soft Skills Kids. Depois, obviamente, pensei nos adolescentes e nos pais de adolescentes, para dar sequência à série. E o último volume, que é o Balance Skills, foi um conceito que eu criei muito pautado na antroposofia. A antroposofia é uma ciência que estuda os setênios, e a cada sete anos a nossa alma tem um chamado de evolução. Por isso, dividi o livro em quatro blocos de skills. Por quê? Porque há fases da vida em que estamos mais na introspecção; fases em que estamos mais em busca de felicidade; fases em que estamos buscando nos relacionar melhor; e fases em que estamos no empoderamento. Esses são os quatro blocos de skills que o Balance aborda.

5- Qual dos volumes teve uma repercussão que mais te surpreendeu?

Olha, todos os livros continuam sendo muito vendidos, mas o livro, obviamente, que teve a maior repercussão foi o volume 1. Ele realmente é um grande best-seller, um long seller. Tem mais de 600, 700 avaliações na Amazon. É um livro muito marcante na vida das pessoas, e eu o chamei de “competências essenciais para os novos tempos”. Uma coisa muito interessante, olha que chega a arrepiar o que vou falar, é que, quando idealizei esse livro, ainda não havia pandemia. E o título que eu tinha dado para ele era justamente “competências essenciais para os novos tempos”. E aí veio a pandemia, que foi um divisor de águas nas nossas vidas, e realmente novos tempos vieram. Então, isso também é muito interessante.

6- Como foi a experiência de trabalhar com a Literare Books na publicação de toda a série?

É sempre muito boa. Eu gosto demais da Literare. A Literare Books sempre foi muito parceira, abraçou os meus projetos, que eram diferentes dos modelos que a editora praticava. Todas as ideias que eu tive – e principalmente a Alessandra, que foi a minha ponte interna – ela comprava todas as minhas ideias, me apoiava. Eu criei um formato bem diferente dos outros livros de coautoria. Então, para mim, é um prazer gigantesco trabalhar com a Literare. A equipe é sempre muito dedicada, muito empenhada em fazer as coisas acontecerem.

7- A máxima “profissionais são contratados pelo currículo e demitidos pelo comportamento” aparece com frequência em debates sobre carreira. O quanto ela traduz a essência da série Soft Skills?

Isso é fato. E eu trouxe o dado: 91% das pessoas são demitidas por questões comportamentais. Então, o quanto isso traduz a série? A série justamente representa isso. A ideia da série é explorar as diversas soft skills que existem, para que as pessoas expandam a consciência e comecem a compreender que precisamos olhar para os comportamentos. E olha, vou dizer uma coisa: por toda a minha experiência, isso não tem a ver com nível hierárquico. Eu vejo essa questão comportamental desde CEO até o chão de fábrica. Então, a intenção da série é trazer essa consciência de que, no fundo, precisamos trabalhar os nossos comportamentos se quisermos ser profissionais melhores e, acima de tudo, seres humanos melhores.

8- Entre as habilidades abordadas, qual você considera a mais urgente de ser desenvolvida hoje?

Eu diria que tem três soft skills que, para mim, são a base de tudo. Quando você desenvolve essas três, você consequentemente acaba desenvolvendo outras. São elas: escuta, presença e empatia. Porque, quando a gente tem essas três soft skills nas relações (tanto profissionais quanto pessoais), você acaba desdobrando e melhorando diversas outras, como, por exemplo, a capacidade de se comunicar, de ser adaptável, de ser flexível, de saber negociar, de ser resiliente. Então, escuta, presença e empatia são o que mais falta no ser humano hoje. Eu digo que, dentro das organizações, a gente tem “robôs humanos”. E a inteligência artificial vai avançar, isso é fato. A cada dia ela avança mais. Então, as soft skills também são um diferencial em relação à IA, porque tem uma coisa que o robô ainda não consegue fazer, que é sentir. Por isso, escuta, presença e empatia são três soft skills muito importantes. E eu diria que, para fechar as três, isso culmina em uma comunicação mais assertiva.

9- Na sua experiência, qual é a maior dificuldade das pessoas ao tentar desenvolver competências socioemocionais?

Em primeiro lugar, é a pessoa estar na zona de conforto. Porque, para a gente desenvolver soft skills, eu digo que são quatro passos. O primeiro passo: eu preciso querer. Se eu não quiser mudar, se eu não quiser sair da zona de conforto, nada vai acontecer. A partir do momento em que decido que quero mudar, que quero melhorar. E tem uma frase do Einstein que é a base de todo o meu trabalho com as pessoas: “Insanidade é querer um resultado diferente fazendo sempre igual.” Então, se você quer um resultado diferente, você tem que fazer diferente. O segundo passo consiste em a pessoa despertar. Vou explicar um pouco o que é isso. Muitas pessoas (mais de 90% da população) vivem de forma inconsciente. O que quero dizer com isso? Elas entenderam que a vida aqui na Terra é casar, ter filho, pagar boleto, comprar roupa… Ok, não digo que isso não faça parte da vida humana. Mas o grande propósito nosso aqui na Terra é despertar: tomar consciência, aprender sobre a nossa forma de agir e pensar, olhar para os nossos resultados, fazer diferente, evoluir. Então, para mim, despertar, aprender, evoluir e ser leve são os quatro grandes propósitos que temos aqui. Voltando nos passos para desenvolver soft skills, primeiro eu preciso querer; depois eu preciso despertar, tomar consciência dos meus comportamentos. Quando faço meus trabalhos de coaching, aplico uma pesquisa com as pessoas para entender aquela pessoa com quem vou trabalhar. Faço três perguntas:

  1. Quais são os pontos fortes?
  2. Quais são os pontos a evoluir?
  3. Se você pudesse dar um conselho para essa pessoa, qual seria?

Quando eu trago isso compilado para o meu cliente, sobre como as pessoas o veem, normalmente noto uma reação de espanto. Tanto positiva – “Nossa, esse é mesmo um ponto forte meu e eu nem reconhecia” – quanto negativa – “Nossa, estão dizendo que eu sou resistente a mudanças, mas eu não sou assim…” E aí eu digo: “Eu acredito plenamente que você não é resistente a mudanças, que sua essência não é assim. Porém, sua forma de agir no dia a dia levou as pessoas a criarem esse rótulo sobre você.”

Então, o segundo passo é esse despertar. E nem todo mundo está aberto a realmente ouvir como as pessoas o veem. É preciso estar de coração aberto. O terceiro passo consiste em buscar novas estratégias para agir. Por exemplo, se eu tenho uma comunicação agressiva e quero trabalhar nisso para ter uma comunicação mais humanizada e assertiva, eu preciso me espelhar em pessoas que se comunicam bem, perceber como elas fazem e “muscular” para fazer diferente, como um treino de academia. E o quarto passo consiste em reconhecer toda essa evolução, comemorar as conquistas e ir ajustando o que for necessário. Com isso, a pessoa começa a ter resultados completamente diferentes. Resumindo: nós não mudamos ninguém, não temos esse controle. Mas, quando eu mudo algo em mim, o meu entorno muda.

10 – O que o público pode esperar de novidades ou próximos passos depois do sucesso da série Soft Skills?

A intenção é dar continuidade à série a partir de 2026. Quero me organizar para retomar esses projetos. Passei um período com alguns desafios pessoais, e isso acabou fazendo eu dar uma parada na série, mas tenho muita vontade de continuar. Um dos livros que quero criar é sobre inteligência espiritual, porque acredito muito no seguinte: para a gente realmente crescer e evoluir aqui na Terra, precisamos das hard skills (competências técnicas), das soft skills (nossas habilidades comportamentais) e das spiritual skills, que são as nossas habilidades intuitivas. A gente precisa aprender a se conectar com essa intuição, porque trazemos muita sabedoria nas nossas costas. Muitas vezes ficamos buscando fora algo que já está dentro de nós. E quanto mais praticamos essa capacidade de nos conectar, mais assertivos somos na condução da nossa vida, porque estamos sendo guiados para essa evolução aqui na Terra. Esse é um viés que, com certeza, quero abordar. Ainda não sei se será um livro coletivo ou solo, mas é um dos meus propósitos aqui na Terra. Também quero pensar em outras skills para abordar, talvez um livro mais voltado para relacionamentos, explorando soft skills de relacionamento. Ainda não sei muito bem. Estou pedindo para a minha intuição ir me mostrando o caminho.

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