Em um cenário corporativo cada vez mais marcado pela tecnologia, pela inteligência artificial e por mudanças aceleradas, uma pergunta se impõe: qual é, afinal, o verdadeiro diferencial da liderança? Para Claiton Olog Fernandez, a resposta segue clara ao longo de mais de quatro décadas de atuação: são as pessoas.
Autor de “Liderança que inspira resultados – A arte de conectar mentes para alcançar propósitos em comum”, lançamento da Literare Books International, Claiton reúne na obra vivências reais dos universos corporativo, esportivo e da gestão pública, aliando estratégia, comportamento humano e propósito. O livro é resultado de seis anos de reflexão, amadurecimento e escrita cuidadosa, com o objetivo de transformar inspiração em ação prática no cotidiano de líderes e equipes.
Com uma trajetória consolidada como CEO, presidente de Conselho de Administração, secretário municipal, palestrante e professor universitário, Claiton também já participou de obras em coautoria pela Literare, experiência que antecedeu e fortaleceu o passo de assumir agora um livro solo, autoral e profundamente conectado às suas convicções sobre liderança.
Nesta entrevista, o autor fala sobre o papel do fator humano em tempos de alta tecnologia, os aprendizados que moldaram sua visão de liderança, a experiência de publicar pela Literare Books e os impactos que espera gerar nos leitores, dentro e fora das organizações.
1. Seu livro defende que, mesmo na era da inteligência artificial, o fator humano segue sendo o maior diferencial. Em que momento da sua trajetória essa convicção ficou clara para você?
Essa convicção se consolidou ao longo de diferentes momentos da minha trajetória, mas ficou especialmente clara quando percebi que, em contextos de crise, transformação ou pressão extrema, o que realmente sustentava os resultados não eram apenas sistemas, processos ou tecnologia, e sim as pessoas. Vi organizações com excelente estrutura técnica fracassarem por falta de liderança humana, assim como vi equipes simples alcançarem resultados extraordinários porque havia confiança, propósito e conexão entre as pessoas. A tecnologia potencializa, mas é o fator humano que direciona.
2. “Liderança que inspira resultados” foi escrito ao longo de seis anos. O que mais amadureceu em você, como líder e como pessoa, durante esse processo de criação?
O que mais amadureceu foi a minha compreensão de que liderar é, antes de tudo, um exercício contínuo de autoconhecimento e responsabilidade. Ao longo desses seis anos, aprendi a escutar mais, a respeitar os diferentes tempos das pessoas e a entender que resultados sustentáveis exigem coerência entre discurso, comportamento e decisão. Como pessoa, amadureci na percepção de que vulnerabilidade e firmeza não são opostos, mas complementares na liderança.
3. Depois de quatro décadas atuando nos universos corporativo, esportivo e da gestão pública, o que sentiu que ainda precisava ser dito, e que só este livro poderia reunir?
Senti que precisava reunir, em um único material, aquilo que muitas vezes aparece fragmentado: a integração entre estratégia, comportamento, emoção e propósito. Ao longo da carreira, percebi que muitos líderes dominam técnicas, mas não compreendem o impacto do seu comportamento sobre pessoas e culturas. O livro nasce para preencher essa lacuna, conectando experiências reais, reflexões profundas e ferramentas práticas em um mesmo espaço.
4. Você já participou de livros em coautoria pela Literare. O que mudou, pessoal e profissionalmente, ao assumir agora uma obra solo pela editora?
Assumir uma obra solo representou um nível maior de responsabilidade e exposição. Diferente da coautoria, em que as ideias são compartilhadas, aqui cada palavra carrega integralmente a minha visão, minhas experiências e meus valores. Profissionalmente, foi um exercício de posicionamento mais claro sobre o que acredito como líder e educador. Pessoalmente, exigiu coragem para assumir a autoria das minhas convicções de forma íntegra e transparente.
5. Como foi a experiência de desenvolver este projeto autoral com a Literare Books, desde a concepção até a chegada do livro às mãos dos leitores?
Foi uma experiência extremamente profissional e respeitosa. A Literare conduziu o projeto com seriedade, cuidado editorial e alinhamento com o propósito da obra. Desde a concepção até a entrega final, houve um trabalho conjunto para garantir qualidade, coerência e profundidade no conteúdo. Ter o livro materializado e chegando às mãos dos leitores é a concretização de um ciclo longo de reflexão e dedicação.
6. O subtítulo fala em “conectar mentes para alcançar propósitos em comum”. Na prática, o que mais impede líderes de fazerem essa conexão hoje?
O principal obstáculo é a dificuldade de escuta genuína e a ausência de clareza sobre o próprio propósito. Muitos líderes estão excessivamente focados em resultados imediatos e acabam negligenciando a construção de sentido coletivo. Sem diálogo, empatia e alinhamento de valores, não há conexão verdadeira. Conectar mentes exige tempo, presença e disposição para compreender o outro.
7. O livro une teoria, exercícios práticos e histórias reais. Qual foi o seu principal cuidado para que a obra não fosse apenas inspiracional, mas também aplicável?
O meu maior cuidado foi garantir que cada reflexão estivesse acompanhada de exemplos concretos e propostas práticas. Inspirei, mas sempre com o compromisso de provocar ação. Os exercícios, as perguntas e as histórias reais foram pensados para ajudar o leitor a refletir sobre a própria realidade e transformar aprendizado em comportamento no dia a dia da liderança.
8. Que tipo de leitor você imaginou enquanto escrevia: quem já lidera, quem quer liderar ou quem ainda não se reconhece como líder?
Escrevi pensando em todos esses perfis. O livro dialoga com quem já ocupa posições de liderança, oferecendo reflexão e aprofundamento, mas também com quem deseja liderar ou ainda não se reconhece como líder. Acredito que liderança é uma competência humana, não apenas organizacional, e todos exercem algum tipo de influência em seus contextos.
9. Na sua visão, qual é a maior urgência da liderança contemporânea diante de um mundo cada vez mais tecnológico e emocionalmente adoecido?
A maior urgência é resgatar a dimensão humana da liderança. Vivemos um cenário de alta tecnologia e, ao mesmo tempo, de fragilidade emocional crescente. Líderes precisam desenvolver inteligência emocional, empatia e capacidade de criar ambientes seguros, onde as pessoas possam performar sem adoecer. A tecnologia avança rápido, mas o ser humano precisa de cuidado, sentido e conexão.
10. Se o leitor fechar o livro transformado, qual seria o primeiro sinal concreto dessa transformação na vida dele?
O primeiro sinal será uma mudança na forma de tomar decisões e se relacionar com as pessoas. Um leitor transformado passa a escutar mais, agir com mais consciência e liderar com intenção. Ele deixa de reagir automaticamente e passa a escolher com clareza, responsabilidade e propósito, tanto na vida profissional quanto pessoal.





