Hiram Baroli: coragem, imaginação e comunicação para transformar histórias em caminhos

Jornalista, mestre em Comunicação, especialista em Marketing, professor convidado da FGV e referência em storytelling, Hiram Baroli construiu uma carreira de mais de 30 anos dedicada a transformar ideias em narrativas que conectam, inspiram e geram impacto. Mas, acima de todos os títulos, ele se define como pai, e é justamente desse lugar que nascem algumas de suas histórias mais poderosas.

Autor de obras voltadas ao desenvolvimento profissional e à comunicação estratégica, Hiram também se aventurou pela literatura infantil com Viagem ao planeta Poin Poin, um livro que brotou das noites de histórias contadas aos filhos e que celebra imaginação, amizade e coragem. Já em Loucura, não. Coragem!, escrito em coautoria com o advogado Nelson Wilians, ele conduz o leitor por uma trajetória real de superação e sucesso, conectando marketing, posicionamento e escolhas ousadas à construção de carreiras sólidas.

Nesta entrevista exclusiva para o blog da Literare Books International, Hiram fala sobre a experiência de escrever para públicos tão diferentes, os desafios de unir emoção e estratégia, a parceria com Nelson Wilians, o papel da coragem em suas obras e a importância social de livros que despertam sonhos, nas crianças e nos adultos.

1. Você transita entre o universo infantil de “Viagem ao planeta Poin Poin” e o mundo profissional de “Loucura, não. Coragem!”. O que muda (e o que permanece) quando você escreve para públicos tão diferentes?

Quando escrevo para públicos tão diferentes, o que muda é o lugar de onde falo, e o que permanece é a essência da comunicação.

Em Loucura, não. Coragem!, escrevo como gestor, líder e profissional de mercado. Ali, aplico meu conhecimento técnico, minha vivência estratégica e minha leitura do mundo dos negócios para provocar, orientar e ajudar outros profissionais a tomarem decisões melhores, mais corajosas e mais conscientes. É um livro racional na forma, estratégico na intenção e prático na aplicação.

Já em Viagem ao Planeta Poin Poin, surge outro autor. É o pai, o criativo, o contador de histórias que inventa mundos para encantar os filhos. Esse livro nasce do afeto, da imaginação e da troca. Quando criei o planeta, meus filhos participaram ativamente, dando ideias, colaborando, sonhando junto. Por isso, é uma obra de família, construída a muitas mãos, com inocência, fantasia e amor.

O que permanece nos dois é a coragem de criar e a importância de contar boas histórias. Seja para formar líderes ou para alimentar a imaginação das crianças, escrever continua sendo, para mim, um ato de conexão, propósito e construção de mundos possíveis.

2. O planeta Poin Poin é feito de imaginação, amizade e alegria. De onde veio a inspiração para criar esse universo tão lúdico e afetivo?

A inspiração para o planeta Poin Poin nasce, antes de tudo, da relação com meus filhos e do hábito de contar histórias. Eu lia para eles O Pequeno Príncipe, um livro que ensina que a imaginação, a amizade e o afeto são formas profundas de entender o mundo. Dali veio a primeira centelha. Um dia, eles disseram: “Pai, vamos para um lugar diferente.” E foi assim que começamos a criar o nosso próprio planeta. A história nasce desde o início da jornada, a construção da nave espacial, a viagem pelo espaço, a chegada ao planeta e o encontro com os amigos Poin Poins. O restante é pura imaginação compartilhada. Foram dez anos contando essa história, noite após noite, e a cada dia surgiam novas aventuras, novos personagens encantados e novos detalhes desse universo lúdico. Poin Poin é, portanto, um planeta construído com tempo, afeto e criatividade, um lugar onde a fantasia cresce junto com a família e onde sonhar sempre foi permitido.

3. Em “Loucura, não. Coragem!”, você aborda carreira, marketing e posicionamento. Qual foi o maior desafio em transformar experiências reais em uma narrativa envolvente?

O maior desafio foi equilibrar realidade e narrativa, sem perder nem a força da história nem a utilidade prática do conteúdo. Loucura, não. Coragem! tem uma construção muito clara, dividida em duas partes complementares.

Na primeira, contamos a história de vida de um empresário extremamente bem-sucedido, que saiu de uma casa sem energia elétrica e construiu uma riqueza gigantesca. É uma trajetória real, dura e inspiradora. O desafio aqui foi organizar essa vivência em uma narrativa fluida, humana e envolvente, que emocionasse e prendesse o leitor, sem romantizar excessos, mas valorizando cada etapa da jornada, da pobreza às grandes conquistas.

Na segunda parte, o desafio muda: é transformar essa história em aprendizado aplicável. Entram os conceitos de marketing, carreira e posicionamento, todos conectados diretamente às decisões e estratégias adotadas nos negócios do Nelson. A ideia foi mostrar, na prática, como esses conceitos funcionam e, principalmente, como podem ser adaptados a qualquer empresa ou profissional, independentemente do porte ou do setor.

O grande exercício foi fazer com que o leitor não apenas se inspirasse com a história, mas entendesse o porquê das escolhas, o como das estratégias e saísse do livro com coragem, e ferramentas reais, para aplicar no próprio caminho profissional.

4. Como foi dividir a autoria de “Loucura, não. Coragem!” com Nelson Wilians? O que essa parceria agregou ao livro?

Dividir a autoria de Loucura, não. Coragem! com o Nelson Wilians foi, antes de tudo, uma honra. O Nelson é uma pessoa incrível, extremamente inspiradora, e eu já era fã dele antes mesmo de começarmos o projeto. Por isso, tudo foi feito com muito propósito e alegria. Eu já o conhecia, mas fazer o convite e vê-lo aceitar foi algo realmente especial. Não poderia haver parceiro melhor para dividir essa autoria. Foram horas e horas de conversas, de histórias compartilhadas, de reflexões profundas. Tive o privilégio de conviver momentos únicos e de ouvir cada passagem da trajetória dele diretamente da fonte, com verdade e generosidade. Essa parceria agregou ao livro algo fundamental: credibilidade vivida. Nada é mais poderoso do que mostrar conceitos aplicados na prática, na vida real de alguém que construiu uma trajetória de sucesso. O livro ganha força justamente por isso, ele não fala apenas de marketing e posicionamento como teoria, mas como ferramentas que, quando bem aplicadas, geram resultados concretos. A união da minha visão estratégica com a vivência do Nelson transformou o livro em um conteúdo inspirador, prático e real, mostrando que coragem, método e marketing bem aplicados podem, de fato, mudar destinos.

5. De certa forma, coragem é um tema que aparece nos dois livros. O Adam, criança, e os jovens profissionais do outro livro vivem tipos diferentes de coragem. Como você enxerga esse ponto em comum?

É verdade, coragem é um fio condutor nos dois livros. Sonhar é um ato de coragem. Realizar, mais ainda. O próprio título Loucura, não. Coragem! nasce de uma frase do Nelson, que é um líder inspirador e tem uma capacidade única de traduzir ideias complexas em pensamentos simples e profundos. Quando ouvi a frase, “O que difere coragem de loucura é o seu resultado”, soube imediatamente que dali sairia o título do livro. Ela carrega uma verdade incontestável: quantas vezes fazemos algo diferente, ousado, e somos chamados de loucos? Mas quando essa mesma atitude dá certo, passamos a ser vistos como corajosos. Essa foi a trajetória do Nelson. Movido pela coragem, enfrentou riscos, quebrou padrões, venceu na vida e se tornou um profissional inspirador. E foi também um ato de coragem da minha parte convidá-lo para escrever esse livro comigo.

No Viagem ao Planeta Poin Poin, a coragem aparece de outra forma, mas com a mesma essência. Adam, ainda criança, é movido por um sonho. Ele constrói sua própria nave espacial e parte para realizar algo que parece impossível. É a coragem inocente, pura, que não conhece limites nem medo do julgamento.

No fundo, a mensagem é a mesma para crianças ou profissionais: quem tem coragem vai mais longe. Muda apenas o cenário, mas o motor é igual. A coragem é o que transforma sonhos em caminhos, seja para conquistar um planeta imaginário ou construir uma trajetória real de sucesso.

6. O que a literatura infantil permite dizer que, muitas vezes, os livros para adultos não conseguem expressar da mesma forma?

A literatura infantil permite dizer aquilo que, muitas vezes, os livros para adultos não conseguem expressar com a mesma liberdade. Ela permite sonhar. É menos objetiva, mais intangível, mais sensível. No universo infantil, não estamos presos a conceitos, métricas ou fórmulas, a regra é imaginar, criar e ir longe. No livro infantil, o sonho não precisa de justificativa. Ele simplesmente acontece. É ali que ideias impossíveis se tornam naturais e onde a imaginação pode explorar caminhos que, no mundo adulto, muitas vezes são bloqueados pela lógica, pelo medo ou pelo excesso de razão. Ao mesmo tempo, existe uma grande responsabilidade. Escrever para crianças exige ética, respeito e consciência, porque a criança acredita. Ela confia na história, nos personagens e no mundo que o autor apresenta. Por isso, é preciso cuidado com a linguagem, com as mensagens e com os valores transmitidos. Mas, respeitados esses limites, a literatura infantil é um espaço de liberdade absoluta. Porque sonhar é viver, e no infantil, sonhamos sem fronteiras, com a leveza e a verdade que só a infância permite.

7. Como jornalista, professor e storyteller, o que você leva da sua trajetória profissional para a criação das histórias?

Sou jornalista de formação e publicitário de profissão, o que me permitiu desenvolver uma leitura holística da realidade e transitar com naturalidade por diferentes temas, linguagens e universos profissionais. Como jornalista, aprendi a observar, ouvir e contar histórias com verdade. Como publicitário, a transformar ideias em narrativas claras, envolventes e relevantes. E como professor de marketing, tenho contato constante com pessoas diferentes, visões diversas, gerações, culturas e experiências. Essa convivência diária com a diversidade é extremamente rica e estimulante. A diversidade amplia o pensamento. Ela rompe padrões, provoca novas ideias e alimenta a criatividade. Sempre tive a oportunidade de circular por diferentes ambientes, áreas e contextos, e isso me abriu caminhos criativos que talvez não existissem se eu estivesse preso a um único ponto de vista.

Acredito profundamente que não devemos viver em uma bolha. Quanto mais conseguimos transitar entre diferentes bolhas, profissionais, culturais, sociais e humanas, mais completos nos tornamos. E, sem dúvida, nos tornamos pessoas melhores, comunicadores mais sensíveis e storytellers muito mais criativos.

8. Qual foi o sentimento de ver dois projetos tão distintos ganhando vida pela Literare, um pelo selo Literare Kids e outro voltado ao público profissional?

Foi um sentimento de realização profunda, gratidão e surpresa positiva. A Literare fez toda a diferença nessa jornada. Para quem é marinheiro de primeira viagem, lançar um livro não é simples. Eu conversei com muitas editoras, inclusive já tinha livros publicados por outras casas, mas encontrar a Literare mudou completamente a minha vida como escritor. Recebi orientações que eu jamais imaginei que existiriam. Houve método, estratégia, cuidado e visão de longo prazo. E uma das maiores conquistas desse processo foi conhecer o Maurício Sita, CEO da Literare. Ele é uma pessoa espetacular e um amigo que levo para a vida.

Curiosamente, o livro infantil é “culpa” dele. Lancei primeiro o livro de marketing e, em uma conversa sobre literatura infantil, comentei que tinha essa história guardada na cabeça. Desde então, o Maurício me incentivou, provocou e motivou constantemente, até que o Viagem ao Planeta Poin Poin ganhasse vida pelo selo Literare Kids. Com estratégia e planejamento, a Literare levou dois projetos tão distintos a se tornarem best-sellers, algo que, para mim, não era apenas um sonho distante, mas algo que eu nem ousava planejar dessa forma. Essa experiência reforçou uma convicção muito clara: escolher bem a editora é fundamental. Eu falei com muitas, e hoje acredito que a Literare seja a melhor editora do país. Tanto acredito nisso que já indiquei diversos autores, muitos deles já publicaram pela Literare, e todos estão extremamente satisfeitos. Ver esses dois livros nascerem e crescerem ali foi a confirmação de que histórias diferentes podem coexistir quando há propósito, profissionalismo e pessoas certas no caminho.

9. Qual é a importância social de livros que falam, ao mesmo tempo, de imaginação, comunicação, marketing e coragem?

A importância social desses livros está justamente no fato de que imaginação, comunicação, marketing e coragem são temas profundamente inclusivos. Eles não pertencem a um grupo específico, a uma elite ou a um setor restrito, pertencem a todas as pessoas que desejam crescer, se expressar e se destacar no mercado e na vida. O acesso a esses temas muda trajetórias. O marketing, quando bem compreendido, amplia possibilidades, abre caminhos e transforma carreiras. Ele não é apenas sobre vender, mas sobre posicionar ideias, talentos e propósitos. A comunicação é essencial, como dizia o Chacrinha, “quem não se comunica, se estrumbica”. Saber se expressar é condição básica para existir social e profissionalmente. A coragem completa esse ciclo. Quem tem mais coragem, normalmente tem mais oportunidades, porque se arrisca, tenta, erra, aprende e avança. Já a imaginação é o ponto de partida de tudo. É obrigatória. Precisamos imaginar, sonhar e desejar para criar objetivos claros, e só assim conseguimos, de fato, alcançá-los. Livros que unem esses temas cumprem um papel social poderoso: democratizam conhecimento, despertam sonhos e incentivam ação. Eles mostram que qualquer pessoa pode construir seu caminho quando aprende a imaginar, comunicar, se posicionar e ter coragem para seguir em frente.

10. Se um leitor conhecer você hoje por “Viagem ao planeta Poin Poin” e outro por “Loucura, não. Coragem!”, o que você espera que ambos levem da sua escrita?

Se alguém me conhecer hoje por Loucura, não. Coragem!, espero que leve da minha escrita seriedade, cuidado e inspiração. Que perceba a força de uma narrativa construída a partir de uma história de vida real, verdadeira e vencedora, como a do Nelson, e entenda que o marketing, quando bem aplicado, é uma ferramenta de diferenciação e transformação. Quero que esse leitor aplique os conceitos do livro, busque caminhos novos, saia do óbvio e se torne um profissional realmente diferenciado no mercado.

Já quem me conhece por Viagem ao Planeta Poin Poin, espero que enxergue em mim um profissional que não perdeu a criança que existe dentro de si. As crianças são puras, verdadeiras e sonhadoras, e esse livro nasce do desejo de incentivar mais pessoas a sonharem, acreditarem e imaginarem que é possível construir algo melhor.

No fundo, os dois livros dizem a mesma coisa, em linguagens diferentes: precisamos acreditar. Acreditar em nós, nas ideias, nas pessoas e em um mundo melhor. E isso começa cedo. Nossas crianças são o futuro desta nação, são elas que, bem cuidadas, inspiradas e estimuladas a sonhar, podem transformar o mundo em um lugar mais humano, justo e cheio de possibilidades.

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Sobre a Literare Books International

A Literare Books International é uma editora com mais de 20 anos no mercado editorial, pioneira em livros de coautoria, especialista em livros solos e e-books. Muitos de nossos livros tornaram-se em pouco tempo best-sellers, ganhando reconhecimento em todo o mercado editorial.

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