Dr. Raphael Rangel: Simplificando o TDAH com ciência, empatia e acolhimento

Referência nacional no cuidado de crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento, Dr. Raphael Rangel é neuropediatra, mestre em Neurociência pela Unicamp e atua há anos unindo ciência, prática clínica e humanidade. Autor e coautor de obras de destaque, escreveu Identidade, coordenou o Manual do TDAH – Do diagnóstico ao tratamento e é coautor de best-sellers como Simplificando o Autismo, Neurodiversidade e Tratado de Neurologia Infantil.

Em Simplificando o TDAH, 2ª edição publicada pela Literare Books, ele transforma sua experiência clínica e acadêmica em um guia acessível, claro e cheio de acolhimento, combatendo estigmas e oferecendo caminhos práticos para famílias, educadores e profissionais de saúde. Para Dr. Raphael, “o conhecimento que liberta, acolhe e direciona” é a chave para enxergar o TDAH não como uma sentença, mas como um convite à compreensão.

Nesta entrevista para o blog da Literare Books, ele compartilha os bastidores da obra, fala sobre sua missão de aproximar a ciência das pessoas e revela como pequenos passos podem transformar realidades inteiras.

1) Como surgiu a ideia de escrever “Simplificando o TDAH” e transformar esse tema em um guia acessível para pais, profissionais e curiosos?

A ideia de escrever “Simplificando o TDAH” nasceu de algo muito real dentro da minha prática clínica: a dor da desinformação. Eu via pais angustiados, professores frustrados e até profissionais de saúde inseguros diante de um diagnóstico que ainda é cercado de mitos.  Com o tempo, percebi que o conhecimento técnico só tem valor se ele gera transformação. Então, decidi criar um livro que fosse mais do que científico: que fosse útil, humano e prático. Simplificando o TDAH nasceu dessa vontade de simplificar sem banalizar, de aproximar as famílias e os profissionais da compreensão do cérebro e do comportamento, mostrando que o tratamento vai muito além da medicação, envolve empatia, rotina, limites e, principalmente, esperança.

2- O livro traz uma organização de capítulos bastante completa, indo da definição do TDAH até seus impactos na vida adulta. Como foi o processo de seleção e estruturação desses conteúdos?

A estrutura do livro foi pensada como uma jornada. Eu queria que o leitor fosse ele um pai, um professor ou um profissional da saúde conseguisse caminhar junto comigo desde o “o que é o TDAH” até o “como ele impacta a vida real das pessoas”. Então, comecei pelo básico: definição, diagnóstico, neurobiologia, funções executivas, e aos poucos fui avançando para temas mais complexos, como tratamento, comorbidades e os desafios na vida adulta. A ideia era transformar o livro em um guia prático, com base sólida, mas que também tivesse alma que fosse leve de ler, mas profundo o suficiente pra gerar reflexão e mudança.

3- Em sua visão, qual é o capítulo mais desafiador ou impactante do livro – aquele que o leitor não pode deixar de ler?

 Essa é uma pergunta difícil, porque cada capítulo tem uma parte importante da história que eu quis contar. Mas se eu tivesse que escolher um, diria que o capítulo sobre funções executivas é o coração do livro. Ele é desafiador porque, muitas vezes, é ali que as pessoas finalmente entendem o porquê de tantas dificuldades do TDAH desde a desorganização até os impulsos e as frustrações do dia a dia.

4- Você também está coordenando, junto com Natasha Ganen, o “Manual do TDAH – Do diagnóstico ao Tratamento”. Como foi equilibrar a escrita desse livro com a coordenação do outro projeto?

Foi um grande desafio, mas também uma enorme satisfação. Enquanto “Simplificando o TDAH” nasceu com o propósito de traduzir o conhecimento para o público geral, o “Manual do TDAH – Do Diagnóstico ao Tratamento”, que coordenei junto com a Dra. Natasha Ganem, tem um perfil mais técnico e voltado para profissionais da saúde e da educação.

5- A parceria com a Literare Books foi parte importante do processo. Como você avalia essa experiência de publicar pela editora?

A parceria com a Literare Books foi essencial. Desde o início, eles compreenderam que o projeto “Simplificando o TDAH” não era apenas um livro, mas uma missão levar informação de qualidade e acolhimento a quem lida com o transtorno todos os dias. A equipe da editora abraçou a ideia com sensibilidade, profissionalismo e um respeito enorme pela mensagem que eu queria transmitir. Publicar com a Literare foi uma experiência muito positiva, porque eles entenderam a importância de unir ciência e acessibilidade. O cuidado editorial, o olhar para o design, e a valorização da obra como um instrumento de transformação fizeram toda a diferença.

6- O TDAH ainda é cercado de muitos estigmas e preconceitos. De que forma você acredita que a obra pode contribuir para desmistificar o transtorno na sociedade atual?

Sem dúvida, esse é um dos principais objetivos do livro. O TDAH ainda carrega muitos estigmas a ideia de que é “falta de limite”, “modinha”, ou simplesmente “preguiça”. E isso machuca muita gente. O que eu quis com “Simplificando o TDAH” foi justamente trazer luz onde ainda existe julgamento. Quando o leitor entende que o TDAH é uma condição neurobiológica, que tem base genética e envolve disfunções reais nas funções executivas do cérebro, ele muda o olhar. Ele passa a ver o comportamento com empatia, e não com crítica. Acredito que o livro contribui para desmistificar o transtorno porque traduz a neurociência em linguagem humana, mostrando que o TDAH não define quem a pessoa é apenas explica parte do seu funcionamento. E quando o conhecimento chega, o preconceito perde força.

7- Muitos pais enfrentam um verdadeiro “luto psicológico” após o diagnóstico dos filhos, como você aborda no livro. Que mensagem você gostaria de deixar a eles?

Esse é um ponto muito delicado e humano. Eu sempre digo que o diagnóstico do TDAH não é uma sentença é um convite à compreensão. Quando um pai ou uma mãe recebe o diagnóstico do filho, é natural viver uma espécie de luto: o luto pelo filho “idealizado”, pelas expectativas que foram criadas. Mas, com o tempo, eles descobrem que o verdadeiro encontro acontece com o filho real com suas potências, desafios e singularidades. A mensagem que eu deixo é: não tenham medo do diagnóstico, tenham medo da falta de conhecimento. Porque é o conhecimento que liberta, acolhe e direciona.

8- Ao falar de estratégias parentais, educação e até alimentação, o livro mostra caminhos práticos. Qual conselho simples você destacaria para quem está começando a lidar com o TDAH na família?

O principal conselho é: comece pequeno, mas comece com constância. No TDAH, a rotina é o melhor remédio depois do amor. Não precisa de fórmulas mirabolantes o que faz diferença é a previsibilidade, os combinados claros e o olhar de acolhimento no lugar da cobrança.

10- Para finalizar, se pudesse resumir em uma frase o propósito central de “Simplificando o TDAH”, qual seria?

Se eu pudesse resumir “Simplificando o TDAH” em uma frase, seria: “Transformar conhecimento em acolhimento e neurociência em empatia.”

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