Cristiane Rayes: propósito, método e coração na construção da Orientação Familiar no Brasil

Cristiane Rayes

Com 30 anos de atuação clínica e educacional, Cristiane Rayes é um dos principais nomes quando o assunto é Orientação Familiar no Brasil. Psicóloga, escritora, palestrante e idealizadora do Programa AMORES, ela construiu uma trajetória marcada pela união entre teoria sólida e prática estruturada, sempre com foco na segurança técnica e no acolhimento às famílias.

Mãe de Mariana e Vitor, casada com Márcio e apaixonada por Nala e Zola, Cristiane carrega para sua atuação profissional o mesmo compromisso que defende às famílias: consciência, coerência e constância. Pioneira na organização metodológica da Orientação Familiar, desenvolveu uma estrutura própria para conduzir atendimentos com clareza e estratégia, formando centenas de profissionais em todo o país.

Coordenadora das obras “Orientação Familiar I, II, III, IV e V” e idealizadora do Congresso de Orientação Familiar, que chega à sua 5ª edição, ela também é responsável por fortalecer uma rede de especialistas comprometidos com a atuação ética e fundamentada. Em parceria com a Literare Books International, ajudou a dar identidade e visibilidade a uma área que, por muitos anos, esteve fragmentada.

Nesta entrevista, Cristiane fala sobre as lacunas que a motivaram a estruturar o Programa AMORES, o que transformou seus livros em best-sellers, os desafios atuais das famílias e o impacto emocional e profissional que o Congresso vem gerando em todo o Brasil.

1. Ao longo dos seus 30 anos de atuação, quando percebeu que a Orientação Familiar precisava de mais estrutura?

Ao longo da minha trajetória clínica e educacional, comecei a perceber algo que me inquietava: as famílias chegavam muito fragilizadas, e eu, assim como muitos profissionais, ainda não tinham uma estrutura clara para conduzir esse processo. Havia conhecimento, mas faltava organização, direção e estratégia. A Orientação Familiar era confundida com treinamento de pais ou vista como algo complementar, quando, na verdade, é base dentro do sistema familiar. Eu sou uma pessoa muito prática. Sempre precisei que aquilo que eu estudava fizesse sentido nos atendimentos e foi por isso que comecei a desenvolver minha própria metodologia. Eu precisava organizar meus atendimentos, estruturar recursos e criar um caminho que realmente funcionasse na prática. Não era apenas sobre atender famílias, era sobre dar forma, direção e segurança para a atuação profissional em Orientação Familiar.

2. O que motivou a criação do Programa AMORES e qual lacuna ele veio preencher?

O Programa AMORES é composto por quatro dimensões: Habilidades Socioemocionais, Orientação Familiar, Desenvolvimento Cognitivo e Saúde Mental. Na dimensão de Orientação Familiar nasceu a metodologia AMORES, fruto de anos de dedicação da minha prática clínica e escolar, e do desejo de apoiar profissionais para que se sentissem seguros e confiantes em seu trabalho. Percebi duas grandes lacunas: muitas pessoas ainda não compreendiam, de fato, o que é Orientação Familiar, algo que não aprendemos na faculdade, e, ao mesmo tempo, faltava uma estrutura clara e recursos práticos para conduzir os atendimentos, desde organizar as sessões até saber como agir de acordo com cada demanda. O AMORES surgiu para preencher essas lacunas, oferecendo um caminho estruturado, aplicável na prática, com mais de 300 atividades que ajudam o profissional a atuar com mais segurança, clareza e acolhimento. Mais do que um curso, é uma formação que fortalece o profissional por dentro, trazendo confiança, propósito e cuidado na sua prática diária.

3. O que fez seus livros se tornarem best-sellers?

Eu acredito que a força das obras está justamente na união entre teoria e prática. Não é teoria distante da realidade, é teoria que nasce da vivência clínica e educacional. São livros construídos a partir das dores reais das famílias, dos desafios que encontramos no consultório e da experiência de profissionais que estão na prática todos os dias. A dedicação dos coautores torna essa construção ainda mais rica. Essas obras não ficam apenas na informação. Elas ajudam o profissional a organizar seu olhar, estruturar seus atendimentos e enxergar caminhos possíveis dentro da complexidade da dinâmica familiar. Eu acredito que a força das obras está justamente na união entre teoria e prática. Não é teoria distante da realidade, é teoria que nasce da vivência clínica e educacional. São livros construídos a partir das dores reais das famílias, dos desafios que encontramos no consultório e da experiência de profissionais que estão na prática todos os dias. A dedicação dos coautores torna essa construção ainda mais rica. Essas obras não ficam apenas na informação. Elas ajudam o profissional a organizar seu olhar, estruturar seus atendimentos e enxergar caminhos possíveis dentro da complexidade da dinâmica familiar

5. Como foi sua experiência como autora e coordenadora de obras?

Minha trajetória editorial junto à Literare Books International é uma parte afetiva e marcante da minha história com a Orientação Familiar. Ali eu não publico apenas livros, construímos conhecimento juntos. Coordeno profissionais de diferentes regiões, muitos deles meus alunos, e vejo nascer autores, colegas de caminhada e uma rede forte, ética e comprometida com as famílias. Também faço questão de agradecer o vínculo, o apoio e o profissionalismo de toda a equipe da editora. Sempre fui acolhida, incentivada e respeitada em cada projeto. Esse suporte fez, e continua fazendo, toda a diferença para que a Orientação Familiar ganhe cada vez mais espaço e reconhecimento. Estamos na 5ª edição do livro e também na 5ª edição do Congresso de Orientação Familiar. Isso não é apenas um número, é a prova de que existe algo maior sendo construído. Algo que cresce a cada ano, se fortalece e vem dando identidade e visibilidade à Orientação Familiar no Brasil. Mais do que uma trajetória editorial, é uma construção coletiva que me enche de orgulho.

6. Quais são os maiores desafios hoje no trabalho com famílias?

Hoje os pais enfrentam desafios principalmente ligados à organização da rotina, à definição de limites e à tomada de decisões com segurança. A influência das telas, a rotina acelerada, o estresse, e a redução da rede de apoio exigem mais intencionalidade na condução da parentalidade. Toda família tem conflitos e desafios, isso faz parte da dinâmica familiar. O ponto central é como esses desafios são organizados e conduzidos. Vivemos um cenário com muita informação disponível, mas nem sempre acompanhada de direcionamento claro. Criar filhos exige estudo, evolução e transformação dos próprios pais. Exige consciência, coerência e constância. Para os profissionais, o principal desafio é oferecer uma orientação estruturada, baseada em fundamentação teórica sólida e estratégia prática. Não basta acolher; é necessário saber avaliar a dinâmica familiar, organizar intervenções e conduzir com clareza metodológica. A atuação com famílias pede visão sistêmica, postura ética e capacidade de transformar teoria em aplicação real. Pais precisam de direção consistente. Profissionais precisam estar preparados para oferecer essa direção com sensibilidade, sabedoria técnica e responsabilidade.

7. O que te motivou a criar o Congresso de Orientação Familiar?

Minha motivação começa muito antes do Congresso. Em 1999, quando fiz minha especialização em Orientação Familiar, eu tive uma clareza muito profunda sobre o caminho que queria seguir dentro da Psicologia. Ali eu entendi que não era apenas uma área de atuação, era um propósito. Percebi que a Orientação Familiar precisava ganhar forma, ganhar estrutura e ser reconhecida com a seriedade que merece. Não podia ficar solta, fragmentada. Era necessário organizar, fortalecer e dar identidade a esse trabalho tão essencial. O Congresso nasce desse desejo sincero de construir algo sólido. Um espaço próprio, com profundidade, com troca verdadeira, com fundamento técnico e científico, mas também com pertencimento. Ao lado da equipe da Literare Books International, que apoiou meu sonho, e de todos os coautores, estruturamos a primeira edição em tempo recorde. Foi intenso, desafiador e muito significativo. O que começou como um projeto ousado se transformou em um marco estruturado com muitos significados. Hoje, o Congresso é um espaço de formação, atualização e posicionamento profissional. Mas, para mim, ele continua sendo, acima de tudo um compromisso: fortalecer a Orientação Familiar no Brasil com responsabilidade, método e vínculo.

8. Quais impactos mais te emocionaram nas edições anteriores?

O que mais me emociona nas edições anteriores é ver a Orientação Familiar ganhar vida nas mãos dos profissionais que passaram pelo Congresso. É muito forte perceber que aquilo que construímos ali não fica só no palco ou na teoria, continua acontecendo nos consultórios, nas escolas, nas instituições, nas mais diversas regiões do país. Ver profissionais atuando com mais segurança, com método e clareza de direção me toca profundamente. É transformação de postura, de identidade profissional, de trajetória. E o que também me toca muito são os vínculos que nascem ali. As amizades, as parcerias, as conexões verdadeiras. O Congresso cria uma rede. Pessoas que antes não se conheciam passam a caminhar juntas, trocar experiências, se apoiar profissionalmente e, muitas vezes, construir projetos em conjunto. O Congresso não é um evento isolado. Ele reverbera. Ele fortalece carreiras, constrói relações e amplia o impacto da Orientação Familiar de forma responsável e ética. Ver essa rede crescer com consistência e compromisso é algo que realmente me emociona.

9. Por que o tema da 5ª edição é urgente?

O propósito desta edição especial do Congresso é muito inovador: oferecer dois dias intensos de Práticas Terapêuticas realmente aplicáveis. Reuniremos profissionais da Psicologia, Educação, Fonoaudiologia e Medicina em uma experiência direta com recursos, instrumentos e estratégias que podem ser utilizados nos diferentes contextos de atuação: clínico, escolar, institucional e familiar. Não será apenas exposição de conteúdo. Os participantes vão vivenciar as práticas, ter contato direto com os materiais, compreender como aplicar e adaptar cada recurso com segurança. A proposta é profunda: sair desse encontro não apenas inspirado, mas preparado.

10. Que transformação o participante pode esperar viver?

Ao final de cada congresso, eu recebo inúmeras mensagens. E, para responder essa pergunta, eu me apoio nas próprias palavras que escuto:

“Surpreendente.”
 “Afetivo.”
 “Acolhedor.”
 “Dinâmico.”
 “Super aplicável.”
‘Inexplicável”
 “Abriu minha cabeça para diversas possibilidades.”
 “Me fez significar e ressignificar minha história profissional e pessoal.”
 “Encontrei o sentido para minha profissão.”

Palavras dizem muito.

É um espaço de acolhimento, crescimento e florescimento de sonhos. É um lugar onde cada pessoa se sente vista, fortalecida e direcionado. Na dimensão afetiva, ele fortalece identidade, conexão e propósito. Na dimensão profissional, ele entrega clareza, segurança e recursos que podem ser aplicados imediatamente. O participante sai com posicionamento profissional mais firme e com uma visão ampliada.

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Sobre a Literare Books International

A Literare Books International é uma editora com mais de 20 anos no mercado editorial, pioneira em livros de coautoria, especialista em livros solos e e-books. Muitos de nossos livros tornaram-se em pouco tempo best-sellers, ganhando reconhecimento em todo o mercado editorial.

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